Chocolate DERRETE.

O dia amanheceu lindo – céu azul claro, límpido e tempo fresco.

Arrumamos nossa tralha de feira (decoração, materiais impressos, forro de mesa e mais um tanto de coisas que são invisíveis a quem visita, mas necessárias pra quem expõe) e passamos na fábrica para pegar os chocolates para vender.

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O cacau de origem e seu significado

O termo origem é amplo, muitas vezes usado como marketing de forma simplista diante de todos os significados que tem no  chocolate do grão à barra, ou bean to bar.

A origem indica a localização geográfica do cacau utilizado – qual estado, qual região ou qual fazenda.

 

Estas informações podem indicar algumas características sensoriais esperadas do chocolate, dependendo da qualidade do manejo da fazenda até a fabricação da barra. Será que o terroir chegou até a barra final?

 

A origem não garante qualidade, mas gera expectativa disso.

Na Java Chocolates, temos cacau de duas origens de cacau:

    • Amazônia: mais especificamente do estado do Pará, que entrega uma suavidade e equilíbrio que comparamos a de vinhos de guarda. Um equilíbrio fantástico, que só podia ser da região que originou o cacau no mundo.
    • Minas Gerais: Agora temos também nosso xodó, o cacau mineiro, que nos lembra um vinho jovem – potente, com uma explosão de quem veio com tudo para o mundo do chocolate.

Relacionamento com o produtor, troca de conhecimento e experiências.

 A origem indica também procedência e rastreabilidade.

O fabricante de seu chocolate preferido só faz o pagamento e recebe o cacau em casa, limpinho e embaladinho?

Ou visita, ajuda a viabilizar frete e a entrega? Sabe indicar melhorias para o cacau? Sabe se a fazenda tem burro de carga, trator ou caminhão para transporte?

A origem indica quem faz.

O produtor é fazendeiro de terceira geração, exporta e já tem conhecimento há anos? Ou é gente nova nesse segmento, estuda e trabalha pesado para que o cacau fino seja o meio para melhorar a qualidade de vida?

Seu fabricante de chocolate valoriza esse esforço?

A Java Chocolates  valoriza. Gostamos de visitar as fazendas, ir a feiras e conversar com quem produz.

Neste ano, tivemos duas grandes surpresas:

 

Há três anos, conversamos com um produtor do Pará – família Brogni, Sítio Ascurra-  que estava começando a trabalhar com cacau fino. Voltamos a conversar no ano passado, e quando decidimos comprar, tivemos uma tristeza enorme : o cacau que tinham em estoque já tinha sido vendido no mercado de bolsa, a preço baixíssimo, pois não tinham comprador para cacau fino.

Tivemos que esperar a nova safra, que não decepcionou : no processo de conchagem, a fábrica foi invadida por um incrível aroma de brigadeiro, até a vizinhança ficou com vontade. Com o produto pronto, foram só elogios a esse produtor que nunca tinha conseguido vender o cacau como produto fino, mesmo tendo indicadores e laudos.

Depois de meses, ganharam o prêmio de melhor amêndoa de cacau no Festival Internacional do Chocolate em Belém. Vão para  Paris representar o Brasil! E pasmem, só nós comprávamos cacau fino deles.

Outra grande surpresa foi a descoberta do cacau mineirinho.

Depois de muito pesquisar e procurar, encontramos mineirinho fazendo cacau de qualidade!

Novamente, estavam fazendo há anos o processo de cacau fino sem  conseguir comprador que os remunerasse pela qualidade. Infelizmente, o fazendeiro que iniciou o processo de plantio e manejo do cacau fino faleceu dias antes de iniciarmos contato comercial.

Foi chamado de louco por plantar cacau nessa terra.

Não o conhecemos, mas não tem como não agradecer diariamente a ele pelo que fez. Só os filhos e netos conseguiram provar o chocolate feito com cacau só da fazenda mineira, uma materialização de um sonho de produção de cacau fino.

A Java Chocolates valoriza e ajuda o pequeno produtor que está estudando e se esforçando para produzir cacau fino e melhorar a vida no campo, ao invés de comprar só dos que já tem expertise e domínio de mercado.

A origem indica também a relação da fábrica de chocolate com a fazenda:

    • Há o tree to bar, em que o produtor do cacau também fabrica o chocolate (mesmo que com fábrica em cidade diferente da plantação).
    • Há o bean to bar, em que o produtor de chocolate faz o processamento do cacau até a barra.
    • Alguns usam um termo “farm to bar”, indicando que o controle é feito na fazenda pelo produtor e acompanhado pelo fabricante de chocolate. Entretanto, pressupõe-se que o bean to bar já faça isso, desta forma, pode ser mais uma gourmetização.

 

Até agora, falamos da origem do cacau, podemos então fechar com a origem do chocolate.

Ai juntamos tudo que falamos antes, colocamos na panela com o conhecimento em produzir e transformar a matéria prima no alimento sagrado que é o chocolate.

 

Nesta panela, entra também a questão de equipamentos. Aqui somos artesanais até em maquinários: fabricamos grande parte do equipamento que usamos.

Entra segurança e responsabilidade: temos rígido controle de alergênicos e seguimos à risca os manuais de boas práticas de fabricação.  Embalamos de forma hermética para entregar com a melhor qualidade.

 

 

Aqui, nossa origem de chocolate é baseada em cuidado, carinho, respeito e muita responsabilidade.